Documento elaborado em diálogo com a ARI Serra Gaúcha destaca o papel da graduação na preparação técnica, humanística, ética e crítica dos jornalistas.
O curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul (UCS) apresenta seu posicionamento em defesa da formação universitária específica para o exercício da profissão. Elaborado em diálogo com a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) – seccional Serra Gaúcha, o documento se insere no debate nacional sobre o retorno da obrigatoriedade do diploma e destaca a responsabilidade pública do jornalismo em um cenário de rápida circulação de informações e de transformações tecnológicas.
O texto reconhece que o diploma, isoladamente, não assegura competência, ética ou qualidade profissional. Ao mesmo tempo, sustenta que a graduação oferece um percurso estruturado de formação, articulando conhecimentos técnicos, fundamentos humanísticos, responsabilidade ética, pensamento crítico e experiências práticas. A manifestação também ressalta a contribuição histórica do curso da UCS para o jornalismo e para o debate público na Serra Gaúcha e em outras regiões.
A seguir, leia o documento na íntegra.
Ética e responsabilidade: o curso de Jornalismo da UCS
em defesa do diploma
As manifestações em prol do retorno da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista têm tomado o debate público no Brasil nas últimas semanas. Profissionais da área, intelectuais, representantes dos meios político, jurídico e acadêmico, além de estudantes, manifestam-se sobre a obrigatoriedade da formação superior específica para o exercício profissional. Há quase 35 anos, a Universidade de Caxias do Sul, uma Instituição Comunitária de Ensino Superior, oferece um bacharelado em Jornalismo presencial que forma sujeitos com atuações decisivas na qualificação do mercado. Entendemos, portanto, que a formação acadêmica é essencial para uma preparação profissional comprometida com a transformação das realidades sociais, a cidadania e os valores democráticos.
Em um contexto marcado pela rápida disseminação de informações, especialmente por meio das redes sociais, a formação acadêmica e profissional assume papel de significativa relevância para o exercício responsável do jornalismo. Uma preparação adequada proporciona ao profissional conhecimentos e instrumentos fundamentais para a apuração rigorosa dos fatos, a identificação de fontes confiáveis e a análise crítica dos conteúdos recebidos. Além disso, contribui para que o jornalista reconheça possíveis estratégias de desinformação e evite a reprodução ou divulgação de conteúdos falsos, distorcidos ou descontextualizados. A formação jornalística envolve também o desenvolvimento de princípios éticos e de uma postura crítica indispensável à preservação da qualidade da informação e à responsabilidade social inerente à profissão.
Defender a formação universitária não significa afirmar que o diploma, isoladamente, assegura competência, ética ou qualidade profissional. Acreditamos que a sociedade deve exigir daqueles que exercem sistematicamente uma atividade de interesse público uma formação que articule conhecimentos técnicos, fundamentos humanísticos, responsabilidade ética e capacidade crítica. O diploma não substitui a experiência, mas representa um percurso estruturado de aprimoramento e compromisso profissional.
Uma formação universitária de qualidade prepara o jornalista para atuar diante da crescente complexidade da profissão. Para além das técnicas de apuração e produção de conteúdo, a graduação proporciona conhecimentos sobre legislação, direitos humanos, política, economia, cultura e sociedade, ampliando a capacidade de compreender os acontecimentos e contextualizá-los para diferentes públicos. É também no ambiente acadêmico que o estudante experimenta linguagens, formatos e rotinas profissionais, articulando teoria e prática em atividades de reportagem, entrevista, edição, investigação e produção para diferentes plataformas.
Essa preparação ganha novos contornos diante das transformações tecnológicas que atravessam o jornalismo. Plataformas digitais, algoritmos e ferramentas de inteligência artificial modificam as formas de produzir, distribuir e consumir informação e apresentam novos desafios. Formar jornalistas, hoje, significa também capacitá-los para compreender criticamente essas mudanças, utilizar novas tecnologias e avaliar seus impactos sobre a produção jornalística e a sociedade.
A defesa da formação específica em Jornalismo parte ainda do reconhecimento de que a liberdade de expressão, direito fundamental de todos os cidadãos, não se confunde com o exercício profissional de uma atividade que possui métodos, responsabilidades e compromissos próprios. O jornalismo exerce uma função pública ao produzir informação de interesse coletivo, contextualizar acontecimentos, realizar coberturas sobre as instituições e contribuir para que diferentes setores da sociedade participem de maneira qualificada do debate público.
Na UCS, essa formação ocorre por meio da integração entre fundamentos teóricos, experiências laboratoriais, projetos de extensão, pesquisa, produção jornalística e contato permanente com as demandas da comunidade e do campo profissional. Ao longo de sua trajetória, o curso tem contribuído para a formação de jornalistas que atuam em veículos, organizações e iniciativas de comunicação da Serra Gaúcha e de outras regiões, participando da construção da memória, da identidade e do debate público regional.
Ao longo dessas mais de três décadas, o curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul tem acompanhado as transformações e formado profissionais para diferentes áreas de atuação. Ao defender o diploma, a UCS reafirma a importância do conhecimento específico e qualificado para o exercício do jornalismo e seu compromisso com uma comunicação capaz de contribuir para a cidadania e o fortalecimento da democracia.
Bacharelado em Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul – UCS
Associação Riograndense de Imprensa – seccional Serra Gaúcha
Foto: Lisandro Pécora


