Quinta edição do evento reune profissionais de diferentes áreas para discutir inteligência artificial, criatividade, inovação e relações humanas no mercado
No dia 16 de setembro, a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) recebeu o Let’s Marketing 2026, promovido pela entidade. O evento reuniu nomes de destaque do mercado empresarial e profissionais de diferentes áreas para discutir as mudanças que vêm transformando o marketing e a comunicação.
Com o tema “Cronicamente humano”, o evento colocou a tecnologia e a inteligência artificial em diálogo com criatividade, comportamento e as relações humanas. Entre palestras, painéis e oficinas, os convidados compartilharam experiências sobre temas que abrangem desde a experiência do cliente e o impacto social, até a construção de marcas e o futuro do trabalho.
Ricardo Dini, CEO da Dinâmica Conteúdo Inteligente e head do Let’s Marketing, falou sobre a integração entre diferentes áreas da comunicação e do marketing. Jornalista de formação, ele explicou que as divisões tradicionais entre os setores já não correspondem ao funcionamento atual do mercado. “O novo mercado integra e sincroniza tudo isso que acontece. Eu posso usar as minhas habilidades jornalísticas, como a capacidade de fazer boas perguntas, de redigir um bom texto e de fazer curadoria de informações, para atender aos objetivos de uma organização. Quanto mais conhecimento a gente tiver e menos preconceito em relação às outras áreas, mais preparados estaremos para as demandas que o mercado exige hoje”.
Luiz Serafim, especialista em inovação e diretor do World Creativity Day, relacionou marketing, inovação e criatividade a partir de sua experiência de 30 anos na 3M. Para ele, marketing não se resume à comunicação, mas também está ligado à criação de valor. “Marketing é muito mais do que comunicação. Também envolve a gestão do portfólio, o desenvolvimento do produto e do serviço, o canal de distribuição, como disponibilizamos isso para o consumidor, e também a estratégia de precificação. Tanto inovação quanto marketing querem criar valor para o cliente e, por isso, precisam ter centralidade no cliente”.
Estevão Stumpf, diretor de Novas Receitas (CRO) da Orgânica, abordou a experiência do cliente e a importância de compreender o que o público realmente considera personalização. Entre os exemplos, citou a escolha do canal de atendimento. “Quando uma marca está chegando para o cliente e pergunta: ‘Você quer que eu te dê essa resposta por e-mail, por WhatsApp ou por ligação?’, no simples fato de eu fazer isso, já estou entregando um alto nível de personalização que a grande massa está pedindo.”
Eduardo Pezzi, especialista e mestre em Marketing e Data Science, apresentou um workshop sobre planejamento de marketing com inteligência artificial. A ferramenta foi utilizada para construir um plano em poucos minutos, mas ele também chamou atenção para as mudanças provocadas pela tecnologia no mercado de trabalho. “Você vai ser contratado para executar o que ela gerou. Esse plano gerado no workshop, alguém tem que executar! Só que não é mais um monte de gente, são poucas pessoas. Você tem que ficar mais estratégico: pensar melhor, executar melhor. A parte básica está sendo feita por ela. O humano ainda fica no saber fazer a pergunta e saber o que fazer com a resposta. Só que, claro, com menos gente.”
Daniel Matos, fundador da Smile Flame, defendeu uma abordagem mais leve para tratar do impacto social e da inclusão. A partir de projetos desenvolvidos pela empresa, como o Skate no Asilo, mostrou como experiências podem aproximar pessoas e gerar efeitos concretos. “O impacto social pode ser tão leve, tão divertido, tão descontraído que não dá tempo para falar sobre impacto social. A gente não precisa ser um chatão que fica ali com PowerPoint explicando ponto a ponto. Faz de uma maneira que seja leve, que respeite as pessoas. Impacta de uma maneira que todo mundo é convidado para curtir junto, para brincar junto, para gerar trocas reais juntos.”
César Urnhani, piloto de testes, comunicador e especialista em segurança viária, falou sobre a construção de autoridade em um cenário de excesso de conteúdo. Ao explicar sua trajetória, destacou a importância de dominar o assunto antes de buscar reconhecimento. “Você só vai falar bem e ser convincente naquilo que você domina. Você fica bom naquilo que você faz com frequência. Então, para ser um influencer de autoridade, ter autoridade, você precisa saber do que está falando e estudar sobre o que está falando.”
Michael Susin, jornalista com experiência internacional e correspondente da Reuters para a América Latina, compartilhou os desafios e as oportunidades de atuar fora do país. Entre as experiências destacadas pelo profissional está a cobertura, na Espanha, de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, além de uma apuração exclusiva sobre investimentos no setor de energia. Para quem pretende seguir carreira internacional, o jornalista ressaltou a importância de sair da graduação com um foco definido e buscar conhecimento em uma área específica. “Conversei com jornalistas que me ensinaram isso: sair do estudo com um foco em algum nicho, para poder se destacar e já chegar apresentando algo.”
Marcus Tonin, CEO do Marketeiro Confesso, discutiu a relação entre comunicação digital e resultados para as empresas. Para ele, a presença nas redes sociais precisa ser acompanhada de estratégia. “Comunicação digital não é fazer um post bonito na internet, é ter consistência, presença, é ser verdadeiro. A gente ainda tem muito campo para ganhar. Por isso, eu sempre convoco todo mundo que é do mundo da comunicação a arregaçar as mangas e fazer com que as empresas entendam de verdade o poder que a comunicação digital tem para potencializar resultados.”
Ana Rosa Vieira, fundadora da Rosa Petry, falou sobre GEO e sobre os fatores que podem fazer com que uma marca ser citada pelas inteligências artificiais. Para ela, a tecnologia não substitui a construção de uma identidade clara. “A tecnologia, a IA, é ferramenta. Ela pode potencializar, mas vai potencializar o que já está bem construído. Se não tem base nenhuma, ela vai potencializar o nada, o generalismo. Então acho que o maior desafio agora é tirar a ansiedade, não se desesperar com todos os acontecimentos e as evoluções que estão vindo, para pensar no arroz com feijão bem feito, porque no fim é isso que vai continuar sendo a base de tudo.”
Marco Matos, jornalista do Grupo RBS, participou pela primeira vez do evento e destacou a importância de retornar a Caxias do Sul para compartilhar sua trajetória profissional e reencontrar colegas que hoje atuam no mercado local. “Para mim é uma grande alegria estar aqui em Caxias. Compartilhar um pouco da minha trajetória no jornalismo para quem é daqui também é muito especial”, afirmou. Para ele, o evento também se destaca por reunir profissionais de diferentes áreas em um ambiente de troca de experiências e aprendizado, sem a lógica de concorrência. “Acho que está todo mundo aqui disposto a compartilhar e a aprender também”, ressaltou.
Mais do que discutir as transformações provocadas pela inteligência artificial, o 5º Let’s Marketing reforçou a necessidade de profissionais e empresas se prepararem para essas mudanças. Ao longo do evento, os palestrantes destacaram que a tecnologia avança em ritmo acelerado, mas seu impacto também depende da capacidade de aprender, adaptar-se e utilizar essas ferramentas de forma estratégica. Em meio a tantas mudanças, permanece o desafio de evoluir junto com a tecnologia sem deixar de lado aquilo que dá sentido ao trabalho: criatividade, conhecimento, pensamento crítico e relações humanas.
Foto: Jeferson Tragansin

Autores: Isadora Hidalgo e Lisandro Pécora


