Profissional compartilhou sua trajetória e falou sobre os caminhos do rádio diante das novas formas de consumo de conteúdo
Por Gabriel Bremstrop e Marielly Bierhals
Nesta quarta-feira (19), a Universidade de Caxias do Sul (UCS) sediou um encontro que reuniu estudantes do curso de Jornalismo para assistir a palestra do jornalista Fabiano Oliveira, gestor e comunicador da rádio Atlântida FM, que compartilhou experiências de sua trajetória profissional e reflexões sobre os desafios de ser um comunicador na atualidade. O momento também contou com a presença dos comunicadores da Atlântida Serra FM, Daniela Fanti e Tiago Zirbes.
Ao falar sobre sua relação com o rádio, Fabiano destacou a paixão pelo rádio , que surgiu desde a infância e ressaltou que comunicar vai além de transmitir uma informação. Para ele, é necessário pensar em estratégias capazes de fazer com que uma mensagem alcance o público e permaneça na memória.
“Cada vez que a gente consegue alcançar algo que, de fato, fez sentido para aquela pessoa, a gente garante que o nosso próximo conteúdo vai ser, pelo menos, considerado por ela em meio a tantas opções que nós temos hoje”, afirmou.
Segundo Fabiano, em meio a tantas possibilidades de escolha, conquistar a atenção de alguém significa também construir uma referência. É essa identificação que pode fazer com que o público procure novamente determinado comunicador, programa ou emissora.
Mais do que uma rádio
Na trajetória da Atlântida, Fabiano apontou dois elementos como fundamentais para a construção da relevância da emissora: o humor e a música. A combinação, associada à proximidade com o público jovem, ajudou a consolidar a rádio como parte da rotina de seus ouvintes.
A relação construída entre rádio e audiência também passa pela memória afetiva. Para Fabiano, o rádio acompanha diferentes momentos da vida dos brasileiros e, por isso, possui uma capacidade particular de criar lembranças e vínculos estáveis.
O comunicador diante da inteligência artificial
A presença da inteligência artificial na comunicação também esteve entre os assuntos abordados durante a palestra. Para Fabiano, a tecnologia terá um papel importante no trabalho dos profissionais da área e poderá auxiliar os comunicadores em diversas tarefas, mas não deve substituir aquilo que torna a comunicação humana única.
“A inteligência artificial nunca vai substituir um locutor de rádio”, defendeu.
Para ele, uma das principais características que diferenciam o profissional é a capacidade de contar histórias. A tecnologia pode contribuir para o trabalho, mas a construção de narrativas, a interpretação e a capacidade de estabelecer uma relação com o público continuam sendo fundamentais.
O desafio de ser lembrado
Ao conversar com os estudantes, Fabiano também reforçou a importância de entender o comportamento da audiência em um ambiente de excesso de informação. Hoje, disputar a atenção do público significa competir não apenas com outras emissoras, mas também com redes sociais, plataformas de streaming, vídeos e uma infinidade de conteúdos disponíveis instantaneamente.
Nesse contexto, o desafio do comunicador não é apenas fazer com que uma pessoa consuma determinado conteúdo, mas criar uma forma de ser lembrado pelo público.
A experiência compartilhada pelo comunicador da Atlântida trouxe aos estudantes uma nova perspectiva sobre a importância deste meio de comunicação em um cenário de constantes transformações tecnológicas. E reiterou que a permanência do veículo não se limita à tecnologia e sim à capacidade de contar histórias e fazer parte da vida das pessoas.



Fotos: Júlia Finger, Camila de Oliveira e Rayane Ribeiro.


