Durante toda a sua história, a humanidade foi baseada em grupos. Na medida em que evoluiu, diversas articulações desenvolveram-se com o mesmo fim: tornar todos os seres pertencentes a um espaço, físico ou ideológico. Seja no âmbito religioso, político, cultural ou socioeconômico, muitos de nós não seriam os mesmos sem as influências externas que nos moldaram. Em um ano em que o Festival Comunicaverso destaca obras de horror, esse curta-metragem rompe com as fronteiras tradicionais do gênero e apresenta uma narrativa que sintetiza nosso eterno e exaustivo objetivo de pertencer.
“Dancem, Bonecos de Carne Oca” é um curta-metragem de terror folclórico que explora o corpo humano como instrumento de ritual, obsessão e contágio coletivo. A narrativa acompanha uma misteriosa mulher que inicia uma dança aparentemente simples. O movimento, aos poucos, passa a ser reproduzido involuntariamente por pessoas distantes, atraídas por uma força desconhecida.
Sem utilizar diálogos, o filme aposta em uma narrativa visual e poética para construir sua atmosfera perturbadora. Conforme a dança se espalha, os indivíduos abandonam sua individualidade e seguem em direção à figura central, enquanto sua aparência assume características cada vez mais grotescas e sobrenaturais. O ritual culmina em uma dança coletiva exaustiva e mortal.
Misturando elementos do horror psicológico, do folk horror e da crítica social contemporânea, o curta utiliza a dança como metáfora para comportamento de massa, repetição e alienação coletiva. A trilha sonora, os movimentos corporais e a narração simbólica conduzem a experiência como uma espécie de transe ritualístico.
Inspirado em lendas populares, performances ritualísticas e na estética do horror contemplativo, o projeto busca criar uma experiência sensorial inquietante, em que beleza e desconforto coexistem até o último movimento. O filme é desenvolvido pelos estudantes da UCS Enzo Emmer, Isabele Rezzadori, Lucas Chaves, Letícia Becker, Paola Bresolin, André Diel, Luiza Susin, Jádiny Pryslak e João Vitor Michelon, e compõe a cartela de estreias do Festival Comunicaverso 2026.


