A recente campanha da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), desenvolvida em parceria com a Nike para divulgar a nova camisa da Seleção Brasileira, ganhou grande repercussão nas redes sociais, mas não pelos motivos esperados. Uma das peças publicitárias, que traz um canarinho amarelo saindo de uma gaiola com a frase “Alegria que apavora”, acabou viralizando após as pessoas identificarem um erro curioso: o pássaro aparece com três patas, algo frequentemente associado a imagens geradas por inteligência artificial.

O detalhe rapidamente se tornou alvo de memes, críticas e questionamentos sobre o cuidado na produção da campanha. Internautas apontaram que o erro poderia ter sido evitado com uma revisão mais atenta, levantando suspeitas de que a peça tenha sido criada ou finalizada com o auxílio de IA. A repercussão negativa reforçou a discussão sobre o uso dessas ferramentas em campanhas de grande visibilidade, especialmente quando envolvem símbolos nacionais e marcas de grande porte.

O caso também reacendeu um debate mais amplo: por que empresas têm optado por usar inteligência artificial em vez de contratar profissionais da área? Entre os principais motivos estão a redução de custos, a agilidade na produção e a facilidade de gerar múltiplas versões de uma mesma ideia em pouco tempo. Ferramentas de IA conseguem criar imagens e conceitos rapidamente, o que atrai marcas que precisam produzir conteúdo em alta escala e com prazos curtos.

Por outro lado, especialistas e parte do público destacam que a substituição de profissionais por IA pode comprometer a qualidade, a originalidade e a sensibilidade cultural das campanhas. Casos como a do “passarinho de três pernas” evidenciam a importância do olhar humano no processo criativo, tanto para garantir coerência quanto para conectar a mensagem com o público.

 Nesse contexto, a comunicação se revela como um campo que exige não apenas eficiência técnica, mas também curadoria, sensibilidade e responsabilidade simbólica. O uso da inteligência artificial, quando não articulado a processos críticos de validação e direção estratégica, pode gerar ruídos, fragilizar narrativas e impactar negativamente a reputação das organizações. Assim, mais do que substituir, a tecnologia passa a demandar integração qualificada com o olhar comunicacional, reforçando o papel dos profissionais na mediação entre criação, cultura e percepção pública.

Foto: Divulgação

Autora: Natali Ferreira

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