Pela primeira vez desde o início da série histórica, as mulheres passaram a aparecer mais do que os homens nas redes sociais das principais marcas brasileiras. O dado faz parte da 7ª edição do estudo Diversidades na Comunicação de Grandes Marcas em Redes Sociais, que analisou mais de seis mil publicações ao longo de 2024. As mulheres estavam presentes em 59,7% dos conteúdos, com maior destaque em setores como varejo, cuidados com o lar e farmacêutico. Além do aumento numérico, houve também uma evolução na forma como são retratadas, ocupando espaços esportivos, profissionais e com maior diversidade de perfis.
No recorte racial, a presença de pessoas negras voltou a crescer após dois anos de queda, chegando a 39,9% das publicações. Apesar do avanço, o número ainda não reflete a proporção real da população brasileira. O estudo também aponta melhorias, com pessoas negras sendo menos estereotipadas e mais frequentemente retratadas como protagonistas, especialmente em contextos cotidianos e de celebração. Ainda assim, sua participação segue limitada em áreas como ciência e ambientes profissionais, além de apresentar pouca diversidade de corpos e idades.
Outro ponto destacado é a forma como diferentes grupos aparecem nas imagens. Pessoas brancas, em grande parte, são retratadas apenas entre si, enquanto pessoas negras frequentemente aparecem acompanhadas por indivíduos brancos, o que sugere uma possível necessidade de validação dentro da comunicação. Já a presença de idosos cresceu significativamente, mais que triplicando em relação ao ano anterior, embora ainda esteja distante de representar adequadamente esse público, sendo geralmente associada a papéis familiares ou de autoridade.
A pesquisa mostra que outros grupos seguem com baixa representatividade nas campanhas. Pessoas LGBTQIAPN+ aparecem em uma parcela pequena das publicações, assim como pessoas gordas, que além de pouco visíveis, raramente ocupam posições de protagonismo. Pessoas com deficiência têm presença ainda menor, apesar de serem retratadas de forma positiva quando aparecem. Já a população indígena teve participação tão reduzida que não foi possível sequer gerar dados específicos, evidenciando um cenário que ainda precisa avançar em inclusão e diversidade.
A partir desses dados, observa-se que a comunicação das marcas não apenas reflete transformações sociais em curso, mas também atua ativamente na construção de sentidos, identidades e formas de reconhecimento. Nesse contexto, as escolhas de representação tornam-se estratégicas, pois influenciam percepções, legitimidade e vínculos com os públicos. Mais do que ampliar a presença de diferentes grupos, o desafio comunicacional reside na qualificação dessas representações, garantindo diversidade, complexidade e coerência entre discurso institucional e práticas efetivas.
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Autora: Natali Ferreira


